quarta-feira, 27 de julho de 2016

E os patrões?

No trabalho todos os dias me perguntam:
Então quando vais de baixa?
E eu respondo:
Ainda não sei bem, talvez no próximo mês...
E toda a gente responde:
Pois tu é que sabes a tua vida, sabes que os patrões não gostam nada.

E é esta a realidade em que vivemos não é? Gravidez não é doença, claro que não. Na gravidez do Diogo trabalhei mesmo quase até ao fim, ficava nas filas de espera e andava de pé no metro porque ninguém me cedia o lugar. Desta vez como já tenho dito, está a custar-me muito por causa do pequeno problema que tenho na coluna. Ainda hoje se dormi 3h já foi muito bom. Não tenho energia e sinceramente preferia continuar a trabalhar porque quem me conhece sabe que tenho amor à camisola e que faço tudo pela empresa onde estou. Mas depois levo sempre com a mesma resposta. Eu e tantas outras mães por aí afora. Cuidado. Os patrões não gostam. Claro, nenhum patrão gosta, eu que o diga que tenho um em casa mas é a vida. Vou ficar a sofrer até ao fim quando sei que devia estar em repouso para não agravar o meu problema? Para quê? Vão me dar mais valor por isso? Por trabalhar em sofrimento? Acho que não. Ainda reclamam porque não somos 100% produtivas. Que estamos com má cara. Não acho que devamos ter medo do futuro. Temos fazer o melhor para nós e para os nossos filhos e encarar o que vier pela frente de consciência limpa e tranquila. Se não gostarem, paciência. 

6 comentários:

  1. Acho que disseste mesmo tudo! "Temos fazer o melhor para nós e para os nossos filhos e encarar o que vier pela frente de consciência limpa e tranquila. Se não gostarem, paciência."
    Não te vão dar nenhuma medalha pelo sacrifício... e no final, será que vale a pena o sacrifício?

    Beijinhos!

    ResponderEliminar
  2. Podia fazer aqui um texto que nunca mais acabava sobre o facto de, nos nosso país, ter um filho parecer mais um crime que outra coisa. Para além das dificuldades todas que a sociedade nos coloca (patrões, mulheres muito pouco solidárias umas com as outras, dificuldades financeiras para comprar todas as coisas caríssimas que dizem que um bebé precisa, etc, etc, etc) mas, infelizmente, já todas sabemos isso.

    O que te digo é algo que me fez pensar quando fui mãe. Já de mim sou uma pessoa muito pouco conformada e reclamo sempre que acho bem. No entanto, no trabalho, sempre dei o litro e me esforcei muito para fazer as coisas o melhor possível: trabalhar horas a mais sem ser paga, fazer viagens para longe mesmo quando me avisavam em cima da hora. Fazer trabalhos fora do âmbito do meu trabalho porque alguém tinha que o fazer e mais ninguém estava para isso, etc, etc, etc. Depois de ser mãe ponderei muito no tipo de exemplo que queria dar ás minhas filhas e no tipo de sociedade que queria para elas. Em relação à sociedade, se calhar não posso fazer muita coisa mas, em relação ao exemplo posso fazer tudo. E o que faço é colocar a minha família em primeiro lugar. Mais, lutar contra aquilo que considero incorreto. Jamais (acredito eu) iria abdicar de um direito meu porque os patrões ou as colegas acham mal. Não esse tipo de pessoa que quero que as minhas filhas sejam. Quero que sejam lutadoras, muito trabalhadoras mas que trabalhem em algo que gostem mesmo e quando vale a pena, não por medo, não por pressão social. Se cada um de nós lutasse contra as injustiças do trabalho e se sujeitasse menos, se calhar não existiam tantos abusos. Digo eu. Muitos beijinhos para ti e tudo de bom

    ResponderEliminar
  3. Neste momento tens de pensar em ti, no teu bem estar e no bem estar do teu filhote. Bocas vão existir sempre..
    Beijinhos
    http://chicana.blogs.sapo.pt/

    ResponderEliminar
  4. Nos somos e seremos sempre numeros para as empresas portanto temos que fazer o melhor para nos e para os nossos

    ResponderEliminar
  5. Família em primeiro lugar sempre! Sem hesitar! Podes dar o litro mas queiramos quer não no final somos e seremos só números para as empresas.

    ResponderEliminar
  6. Sem dúvida, pensa em ti primeiro, sempre!

    ResponderEliminar