quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sobre médicos

Decidi escrever novamente sobre o assunto do post anterior.
Tenho sempre um azar do caraças no SNS, fora claro, os enfermeiros que acompanharam o Diogo na primeira semana de vida, pois se não fossem eles, ele não estava cá hoje e eu provavelmente sei lá como estaria... contra os enfermeiros nada. 

Mudei de médica de família há bem pouco tempo porque esta senhora não ligou nenhuma ás dores que eu me queixava na perna esquerda. E acreditem, são mesmo dores, não são cócegas. Tomei Daflon uma carrada de meses (anos??) porque diziam que eram varizes. Na gravidez do Diogo não conseguia dormir com dores e quando me queixava à médica levava com respostas do tipo "E que queres que faça?!" Fiz um dopler à perna para ver as tais varizes e nem uma. Andei meses a tomar medicação para nada. Um dia depois de muita dor sofrida fui a um médico privado. Imediatamente meteu a mão numa zona especifica da lombar e disse que eu tinha o nervo ciático bastante inflamado além da cervical torta e mandou-me fazer uma TAC. Assim o fiz passado poucos dias e vim a saber que tenho realmente a dor ciática devido ás vértebras da lombar fazerem muita pressão (por estarem muito encostadinhas) e enxaquecas porque a cervical é torta. Com os exames dirigi-me à doutora do SNS que ficou muito surpreendida e chateada por me ter despachado desta forma. Eu tenho esta dor desde os 18 anos. 

Quando estava grávida do Diogo, perderam o meu processo no hospital. Estava eu com 37 semanas, Agosto e os médicos de férias. O pior momento para se ter filhos. Simplesmente ninguém sabia da minha existência, ninguém me chamava para consultas de termo, nada. Não fui acompanhada nas ultimas semanas. Por consequência o Diogo nasceu ás 41 semanas, com mecónio já no liquido amniótico (sim o Diogo ingeriu cocó na barriga tadinho). Não haviam médicos, era mudança de turno, 8h da manhã. Estava tudo com muita pressa para ir embora. Tanta que esqueceram-se de aspirar o Diogo em condições. A meio da tarde estava ele mais para lá do que para cá, a enfermeira reparou que ele não estava bem e chamou uma pediatra. Aspiraram o Diogo a meio da tarde. Não sei se têm a noção do que poderia ter acontecido... ele poderia ter ficado deficiente ou morrido. 

Na altura, claro, sendo eu mãe de primeira viagem estava tão nervosa tão louca que nem sabia conduzir. A uma dada altura liguei ao meu marido porque não sabia ir para o hospital. Mais tarde percebi exactamente o que se passou. 

Depois disto decidi que nesta gravidez ia ser seguida pelo melhor obstetra da zona, procurei e adoro-o. Como disse no post anterior ele é capaz de fazer uma ecografia e não desistir até ver ponto a ponto. No hospital, não acontece isso. Nada contra o SNS mas eu sempre tive azar. Sempre apanhei médicos mal humorados e sem paciência.

Agora perguntam-me vocês porque não escrevi no livro amarelo. É muito fácil. Eu podia ter feito isso, alias uma amiga próxima fez. Mas sabem que ninguém gosta de receber um critica má, e eu preciso deles. Um dia irei lá novamente, com dores de parto e algum médico estará lá para me receber. Sabem o que ia acontecer se fosse a médica que eu tinha feito queixa?... Ia me deixar sofrer até não poder mais. Eu sei que faço mal, que devia reclamar, etc. Mas eu agora só penso no bebé que tenho na barriga e que nada de mal lhe possa acontecer. Se tiver que engolir sapos vou engolir até ao fim. No fim, mando-a para aquele sitio que vocês bem sabem. 

Acredito que trabalhar num hospital público e no centro de saúde seja duro. Eu penso que não teria estômago... certos médicos tornam-se um cubo de gelo para se auto-protegerem, sei la... mas ao mesmo tempo deixam de ser humanos, não aceitam que erram e ficam muito chateados se pedirmos outra opinião. Pelo menos é o que me parece. 

Semanas antes do falecimento do meu pai, cheguei ao hospital onde o acompanhei durante 1 ano e ele estava a chorar. A médica tinha acabado de dizer: "Sr. Roldão, o senhor vai morrer." Mas isso, isso é outra história. 


12 comentários:

  1. Isto foi no HPH? Nunca recorri lá mas tinha muito boa imagem...

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  2. Realmente a sorte têm muita influência. Eu sempre fui seguida no SNS e nunca tive nada a apontar. Tenho uma tia que ia morendo no Sams devido a uma apendicite e os medicos só viram o que era quando a abriram na mesa de operações. É uma questão de sorte no medico que encontramos.

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  3. credo...desta 2ªgravidez tb preferi ser seguida por uma boa médica que tb trabalha no hospital e ainda bem...que diferença de tratamento. Não devia ser assim, mas infelizmente é!

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  4. Infelizmente uma pessoa mais cedo ou mais tarde precisa deles. E eles sabem disso. E muitos deles, por causa disso, abusam...

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  5. Nem sei o que dizer... Não me posso queixar do SNS (tirando uma pessoa ou outra, mas acredito que no privado também possa haver gente assim...), mas realmente essas situações que relatas são inadmissíveis! E fiquei aqui com um nó na garganta com o que disseram ao teu pai... Acho que é preciso muita sensibilidade e empatia para se trabalhar como médico ou enfermeiro e claramente há muitos a quem isso falta... Fico muito revoltada com estas situações.

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  6. Realmente às vezes é preciso procurar bastante para achar um médico bom. Eu, por enquanto, estou a ser seguida por um médico fantástico (estou no Brasil), mas no último trimestre de gravidez vou voltar a Portugal e espero encontrar um bom obstetra.
    Espero que tudo corra bem desta vez :)
    Beijinhos

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  7. Há médicos que são totalmente insensíveis. Podem ter sido alunos brilhantes, com classificações notáveis e entraram para Medicina mas isso não faz deles médicos fantásticos. Para se ser médico é preciso, acima de tudo, ser-se humano. Sensível. Tive a minha filha no privado, a pagar sem seguro de saúde. Não me arrependo minimamente. Dinheiro bem gasto. E fui acompanhada por um obstetra maravilhoso que me acalmava e me preparou para o grande momento. A minha filha tem uma pediatra no particular, sempre que vai às consultas no centro de saúde só o faz porque precisamos deles para dar vacinas. Mas quando comparo o atendimento que tem lá com o que tem na pediatra particular, nem há comparação. O SNS vai mal, porque há profissionais que não honram a sua profissão. Claro está que não podemos generalizar.

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  8. O problema é mesmo esse, é uma pessoa precisar deles e depois tem receio de represálias...

    Mas concordo, no fim, vale mesmo a pena fazer queixa dessa mulher, pessoas assim, sem um pingo de humanidade, nunca deveriam ser médicas(os)...

    Um beijinho e continuação de um bom domingo :)


    *Respondi ao comentário lá no meu cantinho.

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  9. Nem me digas nada... histórias de médicos tenho eu um role delas!

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  10. Infelizmente, já tive azar tanto com médicos como com enfermeiros! Felizmente, nunca foi nada tão grave como o que te aconteceu a ti e ao teu filhote. Isso é inadmissível

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  11. Eu entendo perfeitamente que não queiras fazer queixe por essa razão, mas é por medos que o país não avança, e por quase toda a gente fazer como tu. O teu filho podia ter sérios problemas ou até ter morrido! Eu não me calava!!

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