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terça-feira, 12 de junho de 2018

A dor da amamentação

Contamos com 19 meses de amamentação. Com o Diogo foram 8. Diz mé mé sempre que quer mamar. O Diogo chamava mé mé à chupeta. Há coincidências engraçadas. Ela nunca quis chupeta.

A amamentação com o Diogo aconteceu, ainda que num estado medonho de stress, sem problemas. O Diogo quando nasceu teve que ser internado na neonatologia e então era quase crucial, na minha cabeça, que eu tivesse leite para alimenta-lo. Passado dois dias apareceu, sem dor. A pega foi muito difícil, a mama era imensa para uma boca tão pequena e preguiçosa de sono. Mas insisti e persisti mesmo quando as enfermeiras diziam "vou ali fazer um biberão". Não mamou mais biberão depois de sair do hospital.

A Carolina continua. Mama de manhã e à noite, mesmo depois de um médico ter perguntado:

Está a pensar dar-lhe de mamar até ela ir para a escola e ser gozada pelos colegas? 

(o doutor também tem essa cara e não estou aqui a gozá-lo pois não?)

A Carolina tem 19 meses e segundo a Organização Mundial de Saúde a amamentação em exclusivo deverá ser até aos 6 meses e complementado até aos 2 anos de vida ou mais. Não entendi a dúvida.

Estava eu confiante que ia tudo fluir de maneira muito fácil e até achava estranho quando diziam que amamentar doía imenso. Nunca me doeu, nunca tive gretas, nunca chorei... até ter a Carolina.

No mesmo dia que chegamos a casa senti-me estranha. Tinha uma dor leve no peito e pensei que o leite devia estar a aparecer e fui me deitar porque tinha estado sem dormir 2 noites. Quando acordei não me mexia. Queria me mexer e não conseguia tal era a dor. Chamei pelo meu marido uma, duas, três vezes e nada. Tinha adormecido também e estava tão exausto que não acordava. Fiz um esforço hérculo para me levantar. Tinha febre, tremia e tinha tanto frio como nunca tive. Chamei, chamei até que não aguentei mais de dor e chorei tudo que tinha a chorar. Foi absolutamente horrível. 

O leite era imenso, não havia maneira de sair e estava prestes a ir novamente para o hospital com mastite se não tivesse tido a ajuda da Mãe Carla (doula). A minha solução foi meter-me na banheira com água quente a correr e com as mãos massajar as mamas e retirar todo leite. Tive duas horas debaixo de água, a chorar de dor, com o corpo dorido e numa tristeza descomunal. Precisava urgentemente dormir. Passo seguinte: gelo. Meter gelo no peito depois da água quente. O gelo faz a produção parar. Assim fiz algumas vezes até estabilizar. 

Nunca em toda a minha vida pensei que esta situação fosse possível e por isso alerto a todas futuras mães, tenham cuidado e estejam alerta aos sinais. Façam como eu fiz caso passem por algo semelhante e por favor: não desistam. Amamentar é uma bênção.  

Já passaram por isto? Amamentaram ou pensam fazê-lo?


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